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Transplante de fígado em Juiz de Fora: Hospital Monte Sinai celebra conquistas recentes
A realização do transplante de fígado em Juiz de Fora vive um momento histórico de renovação e esperança para centenas de pacientes. Desde abril deste ano, o Hospital Monte Sinai retomou oficialmente seu programa de transplante hepático, consolidando sua posição como referência em alta complexidade na região.
Esta retomada não é apenas um marco administrativo, mas uma vitória da medicina regional que amplia o acesso a procedimentos vitais. Em menos de dois meses de atividades reestruturadas, a equipe já contabiliza seis pacientes transplantados, um número que reflete a agilidade e a competência do corpo clínico.
A estratégia do hospital foca em devolver aos pacientes mineiros a possibilidade de tratamento perto de casa. Por muito tempo, esses procedimentos ficaram restritos apenas aos grandes centros, o que dificultava o suporte familiar e o acompanhamento pós-operatório imediato.
A retomada estratégica do Programa de Transplante Hepático
O retorno das atividades exigiu uma reorganização profunda de todos os processos internos do hospital. A instituição revisou desde os critérios de seleção de pacientes até o apoio logístico necessário para o transporte de órgãos.
O trabalho foi realizado a muitas mãos, envolvendo equipes clínicas, cirúrgicas e de suporte multiprofissional. O objetivo central foi garantir que cada etapa do fluxo de atendimento estivesse alinhada aos mais altos padrões de segurança do paciente.
Manter o credenciamento junto ao Ministério da Saúde durante todo o período de transição foi uma prioridade absoluta. O Monte Sinai atua nesta frente desde setembro de 2017, quando realizou o seu primeiro transplante hepático com sucesso.

Desafios logísticos e a importância da doação de órgãos
Apesar da estrutura de ponta, o principal entrave para a realização de mais cirurgias ainda é a escassez de órgãos. O transplante de fígado depende exclusivamente de doadores falecidos, o que torna a conscientização social um pilar fundamental do programa.
O processo de doação é rigorosamente regulado e exige o cumprimento de protocolos técnicos de morte encefálica. Além da confirmação médica por profissionais habilitados, a autorização familiar é o passo decisivo para que a vida possa continuar em outra pessoa.
O Dr. Fábio Pace, hepatologista da equipe, reforça que o hospital organizou tudo o que estava sob seu controle técnico. No entanto, ele destaca que sem a doação não existe transplante, tornando o diálogo com a família sobre o desejo de ser doador uma conversa urgente.
Também compõem a equipe atual do Programa: os hepatologistas Juliano Machado e Tarsila Ribeiro, os cirurgiões Luiz Henrique Silva Borsato, Thaís Bandeira de Oliveira Junqueira, Henrique Salles Barbosa, além do suporte dos experientes cirurgiões cariocas Lucas Demétrio e Lúcio Pacheco.
Números que consolidam a excelência do Hospital Monte Sinai
As conquistas do Monte Sinai vão muito além da recente retomada do programa hepático. A trajetória da instituição em transplantes é sólida e abrange diversas especialidades, acumulando números que trazem orgulho para a saúde de Minas Gerais.
Desde o início dos seus credenciamentos em 2017, o hospital já realizou 32 transplantes hepáticos. Além disso, a expertise da equipe se estende para 256 transplantes de medula óssea e 346 transplantes de córneas realizados com sucesso.
Uma notícia recente do MG Transplantes trouxe ainda mais otimismo para o setor: a fila de espera para transplante de córneas foi zerada na região. Esse resultado demonstra que a integração entre hospitais captadores e o sistema regulador pode transformar a realidade da saúde pública.
O apoio para a captação em outras cidades da região também merece destaque. Os primeiros fígados deste ano vieram principalmente de Ubá, com grande suporte do Hospital Santa Izabel. Barbacena também foi importante, bem como o Hospital e Maternidade Therezinha, em Juiz de Fora. A equipe do Monte Sinai, em geral se desloca para a captação e transporte neste caso.

O papel da CIHDOTT e a rede de apoio em Minas Gerais
O Hospital Monte Sinai desempenha um papel duplo e essencial como centro transplantador e hospital captador de órgãos. Essa atuação é coordenada pelas Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).
Essas comissões são responsáveis por identificar potenciais doadores e conduzir o acolhimento das famílias de forma humanizada. O trabalho da CIHDOTT é o que permite reduzir as taxas de recusa familiar através da informação clara e do apoio emocional necessário.
A discrepância entre o número de pessoas na fila e o total de órgãos disponíveis ainda causa sofrimento e prolonga a espera. Temos casos de pacientes aguardando desde janeiro de 2026, o que reforça a necessidade de mantermos o debate sobre doação sempre ativo na sociedade.
Estrutura e equipe: o diferencial na alta complexidade
Realizar um transplante de fígado exige uma retaguarda assistencial que poucos centros conseguem oferecer com excelência. O Monte Sinai dispõe de suporte multiprofissional completo para as fases de pré e pós-operatório, garantindo estabilidade ao paciente.
O desafio clínico consiste em manter o paciente compensado até que surja um órgão compatível para a cirurgia. Após o procedimento, que é considerado de grande porte, a vigilância em unidade de terapia intensiva especializada é crucial para o sucesso do enxerto.
A estabilidade alcançada pelo programa é fruto de um investimento contínuo em treinamento e tecnologia. O hospital reafirma seu compromisso em oferecer o que há de mais moderno para que Juiz de Fora continue sendo um polo de inovação em transplantes.
O Que Importa é Poder Confiar
A retomada do programa de transplante hepático no Monte Sinai é uma mensagem de confiança para toda a região. Com uma equipe dedicada e resultados expressivos em pouco tempo, o hospital reafirma sua missão de salvar vidas através da alta complexidade.
Para que esses números continuem crescendo, o envolvimento de todos é fundamental. Informar-se sobre o protocolo de morte encefálica e declarar-se doador para sua família são atos de extrema generosidade que podem mudar o destino de quem aguarda na fila.
O Hospital Monte Sinai segue trabalhando para que cada paciente receba o melhor cuidado possível, com a segurança de uma instituição que é referência nacional. O que importa é saber que, nos momentos mais difíceis, você pode confiar em uma estrutura completa e humana.
